Não sei escrever permanências, nunca nas minhas Estradas, ano após anos repetidas como se fosse sempiterno o homem nú a voar. É essa a minha derrota, não saber escrever permanências.
Vejam Luz, sejam luz, passo a passo em terra já caminhada, brilhem. Afugentem luz que não é luz. Sejam donos de um único e inevitável destino. Não lhe fujam.. não se escondam... e olhem o orgasmo prometido:
Mais um ano uma terra a girar centrifugamente assim e tu assim sim tu em fogo pasmo perplexo num eixo marioneta desleixo na equilibrista que faz o meu mundo girar voraz que apetite - que vontade - queres-me no centro no exacto centro queres-me entre as pernas queres-me Gibraltar queres-me colunas a separar e tudo é liquido e tudo é fogo e tudo é quente e tão molhado que assusta e tudo é lava que me impele a acender e tudo é tão tudo que me faz estremecer assim tremo assim temo com um peso que és tu no meu colo com um corpo estranho que transporto e és porto e és nau e sou navio e trespasso o mar que também és e agora a ferver incandescente Homem Nú em chamas coluna de vapor a partir ferro ardente a possuir um gelo maior que o tempo maior que eu promessa eterna de um calor que a cobrir o mundo todos farão a terra girar centrifugamente mais um ano e todos assim em fogo pasmo perplexo marionetas de livre vontade livres e de fios na mão pavios por acender promessas fogueiras fogo explosão tesão e paz e paz e dormir a sorrir e sorrir ao dormir.
E se de repente, existir um momento de ternura.. um olhar cúmplice... uma lágrima partilhada...
E se de repente murmurares tanto que eu entendo tonto tonto que sou e tanto. Tanto. Esta estrada não me pertence.. já ta dei. Resta-me caminhar contigo, num silêncio devoto de estranha mistura de asas negras e azuis. E adorar-te em cada encruzilhada e prometer-te que nessa estrada quando assim de repente murmurares tanto quebrarei o silêncio devoto e dir-te-ei ternamente « também te amo, meu amor ». Tanto.
Oh baby, baby... can I invade your country? Pousa no meu ombro que eu não quero mais voar.
http://www.youtube.com/watch?v=OpAHjXUPRkg
É esta a Estrada 2012. Espero que a encontrem... e se virem um anjo de asas negras com um pássaro azul pousado no ombro... estão lá. Um bom ano!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
sábado, 3 de dezembro de 2011
Rafael ( porque tu és o Fado )
É para ti meu amigo, é para ti. Agora fomos todos empurrados para uma causa maior que nós, agora estamos - quer queiramos quer não - ainda mais empenhados. Agora vamos continuar a beber copos e dar de beber à dor, continuaremos a escrever versos ébrios manchados com tinto, verde ou cerveja, palavras de delírio que alguém cantará, que alguém sofrerá por elas como se fossem suas, é esta a nossa maldição, ter filhos para que outros os criem, acender as mais belas fogueiras para que amantes se prostrem diante delas. Eu e tu, Velho, carregamos a maldição de lançar palavras ao papel.. Ao guardanapo. à toalha de mesa... qualquer coisa que possa (des)escrever a alma. Continuamente seremos feridos e choramos quando arrancamos algo de nós. Depois sorrimos. E olhos nos olhos ainda sabemos dizer - coisa linda que vai sair daqui - e pasma-te, Rafael... amam-nos. Aquelas mulheres que nos cantam e dão voz à nossa maldição, aquelas mulheres que jurámos nunca tocar, apenas cantar, escrever por elas, assumir dores que não devem sequer mencionar. Não Velho, eles não podem. Triste fardo o nosso, mas que assumimos. Aqui, agora, sinto-me só. Quando escrevo Fado sinto-me só neste formato imperfeito, neste teclado que não compreendes. E quando penso em ti, (re)vejo-me e sim, a nossa alma deve ser partilhada com um copo, um amigo e qualquer papel. Tu ganhaste Rafael. O Património está em ti. Foi esse o teu legado, a minha herança e ambos amaldiçoados estaremos ainda mais empenhados - quer queiramos quer não - .
E agora, Velho... não discutas mais. Escreve-me um Fado.
E agora, Velho... não discutas mais. Escreve-me um Fado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)