Tranquila, acalma as águas. Poderosa, domina o fogo. Vagueia pela terra há dois mil anos ou quase atormentando o demónio até á insanidade.
( Larga-me a mente, feiticeirazinha. Não és mulher, és menina. Pequena e tímida, frágil e inquieta. Larga-me a mente e desperta. Não me invoques ao teu sono, não me domines nos teus sonhos, não me queiras nessa cama que facilmente incendiarei. Acalma as águas. Não dominas o fogo. Não sabes o nome do vento... )
Tranquila, ela própria é água. Poderosa, toda ela é fogo. São chamas invisiveis, assassinas e bailarinas, são as palavras proibidas proferidas e temidas, marcam, estigmam. Feridas, cicatrizes, tudo nela é viagem. Todo o seu corpo é um mapa errante de lugares distantes onde só o vento a poderia um dia levar. Mas ela não sabe o nome do vento.
( Penso muitas vezes no que teriamos a dizer um ao outro... se as palavras que tão bem soltas aqui, que crescem numa louca vertigem até se transformarem num gigantesco caudal de emoções.. penso se as dirias, olhos nos olhos, se a tua voz correria o risco de as proferir... o que falariamos nós?..
Será que me ouvias, atentamente, com esse teu olhar meigo e inebriante, falar de anjos e de batalhas ancestrais, falar do tempo em que repousavas na minha cama, no meu castelo ou na minha cabana de colmo.. poderias ouvir-me, sim... e a minha voz embargada descreveria as linhas da tua mão, as curvas do teu corpo, os sinais de nascença, as estrias de vários partos, de tantos dias, anos, séculos, recordar-te-ia todos os gritos de prazer que emitias em cada orgasmo. No tempo em que éramos bem mais que uma longa linha de comboio, que dois carris impedidos de se tocarem por madeira e pedras, e que assim seguem, lado a lado, até ao fim de mais um mundo...
Tenho a secreta certeza que me ouvirias extasiada, feiticeirazinha. Porque sei que sou vento, mar e areia, fruta silvestre, sou acorde de sinfonia, sou perfume suave, sou elástico com que prendes o cabelo, sou livro aberto numa página pungente que te comove até ás lágrimas, numa página alegre que te faz sorrir, sou a água que te saceia a sede... sou tudo em que tocas pensando em mim, ternura. Sou tudo o que fazes comigo no teu pensamento... sim... sou a mão com que te tocas até caires num sono lânguido... dorme, meu amor. Dorme. Invocaste-me.. estive aí. )
Ela é a minha alma tantas vezes perdida. Recuperada. Ferida. Ela é a minha música de embalar. Porque ela sabe o nome do vento. Apenas não o quer chamar.
Saudades.
ResponderEliminarDo melhor que tenho lido ultimamente. Beijo mEU
A. Anes
Tenho passado a pensar em ti, sei que este texto não é para mim, mas arrepiei-me com a parte final pois tenho-te procurado por toda a parte e não te encontro. Sinto saudades tuas, estranha dependencia.
ResponderEliminarA. ANES estou preocupado consigo. Sente-se bem? Pareceu simpático, esse comentário.. deve ser da quadra.. tem o Pai Natal dentro de si. O espirito natalício, perdão. :-) Bem, seja.. beijos.. :-)
ResponderEliminarANONIMO eu também tenho esta estranha dependência de responder a quem nem faço a minima ideia quem seja...
Não fazes a mínima ideia quem sou.. pq andas sempre à deriva. Entristeces-me.
ResponderEliminarObviamente que esse tipo de comentários far-me-á estar mais sedentário e menos nómada, mais seguro e menos á deriva. Claro que faço ideia de quem é: alguém que tirou o dia para ir á pesca. Mas hoje « namapetece » pescar. :-)
ResponderEliminarEntão senta-te a comer camarão, parvo!
ResponderEliminarNão dá.. só para umas gambas. Pequeninas. O mês já vai muito avançado para camarão...
ResponderEliminar( E esta conversa está como o mês: avançada demais para tão pouco recheio..)-
Agora é que estou mesmo ciumenta. Não sou só eu a levar pancada. Numen alinhas num camarão? Eu pago. Ainda compensa escrever em pasquins como diz o menino.
ResponderEliminarAuch que agora coloquei-me a jeito. A da oferta de camarão sou euzinha A. Anes . Assinei a tempo?
ResponderEliminarFiquemos por aqui.
ResponderEliminarA. ANES eu sei que era você. Reconheci-a pelo pasquim. :-) Grato pelo convite mas não posso aceitar. Muito ocupado até ao fim do mês.
ResponderEliminarANÓNIMO fiquemos.
Sublime. Intenso. Contraditório e coerente. Delicioso o tom implícito de luta silenciosa e de apaziguamento.
ResponderEliminar(Fumei. De cabelo envolto num elástico.)
A.
isto é demais. Perco-me aqui, neste embalar demoníaco de sedução polvilhada com ternura...
ResponderEliminarComo é que???? Porque é que???
I wonder...
Beijo sem adjectivos (ainda estou a recuperar o fôlego)
P.S. Breathless!
( Fica... vou buscar algo para te tapar. Adormece. ) :-)
ResponderEliminardifícil...talvez um dia entendas...
ResponderEliminarBeijo de Lillith :)
( Star , minha Star... ofereci-te uma manta. Minha. E chamo-te minha. Star.) Que raio... faz favor de ficares por aqui! E como ainda está frio, com manta!
ResponderEliminarTu és a minha alma , tua és corpo no meu corpo.
ResponderEliminarAmo-te Eternamente porque eterno somos meu adorado amor.
Beijo Doce*