quarta-feira, 15 de setembro de 2010

albrecht... Giselle

Albrecht e Giselle

Falemos deles... ou da força do amor. Ou de um amor á forca condenado. Ou de vontades. Da tua, Giselle. Cobri-me de farrapos para não te escandalizar. Duque ou não, com ou sem brasão, tudo me impelia a aparecer-te nú. A transpirar. Febril de desejo. Apareci-te como aldeão... para entrar no teu mundo e assim em ti. E de ti um sim, um abraço possante, a vontade de uma amante, o enlevo que me levitou até ao sono que - louca, o que fizeste?? - te consumiu. Não me toquem agora... resta-me adormecer. Adormecer, adormecer... levitar, levitar... impelido pela esperança que a tua vingança seja servida para me atormentar. Até á eternidade, camponesa. Dá-me essa certeza. Que toda a minha vida será uma tortura infinita de contemplar o teu rosto e, se tentar acariciá-lo, vê-lo desvanecer! Como fumo ou ilusão. Agridoce tortura essa. Sempiternamente sentir em mim o teu olhar. Mesmo que não seja real e que realmente seja para me amaldiçoar.

E a bailarina, crê no amor e rodopia frenética. Toca o soalho com as coxas e atira a cabeça para trás. Assim. Num segundo. Num esgar. É o seu mundo e de mim um sim. Aplaudo. Vamos continuar.

Myrtha, rainha. Louca e enfurecida, ceifas assim a vida, num único estertor. Benévola Myrtha, não senti dor. Estranha eutanásia que me foi oferecida. A alma já não a tinha, a vida era uma adiada despedida e cada segundo era um compromisso teu. Recordo o céu e as paisagens - só vejo imagens, imagens, imagens - de uma outra vida em que era duque. E não era eu. Vou contigo rainha. E toma-me nos teus braços como o filho nunca amado. Alimenta-me, amamenta-me e condena-me. Mas tem piedade: que seja já... o nó. não se desfaz. Nós... ainda penso... Sinto nós. E nós nada somos para ti. O que fazes aqui Giselle? Afasta-te... Myrtha ordenou... Não, não posso. Caí - anjo caído- deixa-me moribundo. Neste mundo já não estou ferido. Não! Recolhe a mão... porque não a quero... já não sinto dor. O que fazes? Porque danças agora? Porque? Estou caído.. caído... Traído... Porque danças? Ninguém dança por amor...

4 comentários:

  1. Tive que ir ao google para variar lol e afinal trata-se de um bailado. as coisas que eu aprendo. rs bj espero que estejas bem.

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  2. Tive o prazer deliciado de assistir, há uns anos atrás, em São Carlos, à primeira bailarina do Bolchoi no papel de Giselle. Foi talvez dos bailados que mais me impressionaram, juntamente com a Bela Adormecida e o Quebra Nozes.

    Para mim Tchaikovsky é incomparável...

    Beijo de Nijinksky :)

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  3. fica obviamente o registo que eu sei que Tchaikovsky não compôs Giselle, porque enfiei no comentário acima dois bailados dele misturados com Adam numa salada de frutas mexida em pas-de-deux :)

    Como dizia o meu professor predilecto? Cultura Geral é aquilo que nos lembramos depois de termos esquecido tudo aquilo que aprendemos

    Beijo sábio :)

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