Armadura. Prateada, resplandecente. Ainda invicta. E será sempre. Dourada nos ombros, ofusca e cega. Atemoriza. Excita. Quando bato no peito gosto de ouvir aquele som... o bater com o punho, sinal de honra. O bater com a mão aberta, sinal de desespero. Espero sempre pelo ressoar metálico que me incentiva. Ou que me acalma. Eu visto-a e chamo-lhe minha. Ela protege-me e dá-me segurança. Confio nela. Ela sofre os golpes que me são destinados. Ela nunca me trairá. Amo-a.
Elmo. Negro. Estranho contraste... Esmaga-me o crânio, está bem apertado junto á face. Esmaga-me para dizer que é meu. Escuro como breu. Mais que me proteger, é uma máscara. Esconde emoções. As ternas, plenas de lágrimas. As violentas, carregadas de furor. As indefinidas num furor de lágrimas. Ele protege o meu rosto absorve para ele a solidão que me é destinada. Deste nada que me transforma transporta ele a ilusão. Carrega ele, negro e escuro como breu, com placidez e numa estranha calma a minha alma. Negra e escura como breu. Mas isso só ele sabe. E eu. Ele nunca me abandonará. Amo-o.
Espada. Dizem que foi empunhada em tempos ancestrais. Dizem que foi erguida, nas longas batalhas pela Vida, perdida para os mortais.Dizem que só eu a posso carregar. Dizem que queima a mão, num fogo lento e de chamas vermelhas, a quem mais lhe ouse tocar. Tem runas na lâmina, resplandecente. Ainda invicta e será sempre. Deste nada em que a transformo é ela a minha ilusão. Não lhe toquem... é a morte vermelha que passa. Trespassa. Fere. Alimenta-se de sangue. Tem o dom de cessar as lágrimas em rostos lividos de furor. É minha porque me pertence e a mim quer pertencer. Amo-a.
Vesti-me assim. De amor. Hoje levo para o derradeiro campo de honra tudo o que me amou nesta vida, tudo o que me protegeu. As minhas defesas e eu. Nada mais. Porque vamos combater precisamente o Amor. Essa crosta que tenho urgentemente que arrancar. Para poder ser eu novamente.. e novamente voltar a voar. Sem saber onde ir. E novamente voltar a sorrir sem saber onde ficar... caminhar. Habitar. O amor vencerá o AMOR. Armadura, elmo e espada os que me amaram e mostraram o que quero ser. Combater para partir. Partir para viver.
Ente Venus e Marte seguirei a linha de fogo que prometi. Apenas - e que apenas!! - me afasto de ti.
Mais uma pagina arrancada no livro. rs Ainda assim gosto que tenhas os teus possiveis adeus. Os impossiveis custam muito a permanecer. BJ
ResponderEliminarEra apenas um rascunho. Logo, nem sequer foi arrancada... dai chamar-lhes os « possiveis » , ate porque nao sei dizer adeus. ;)
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