segunda-feira, 21 de março de 2011

Agradecimento

Lembro-me bem da primeira. Árabe ou índia, cigana ou menina, amava ferozmente e era meiga no seu viver. Levava-lhe flores e lia-lhe poesia, era meigo com a cigana ou menina, feroz quando a amava dia após dia até mais um dia em que finalmente amanhecia e a deixava partir. Tinha uma caixinha de pinturas estranha. Enfeitiçava-me - ela e a caixinha - bizarras cores espalhando-se no mais belo rosto que ousei tocar. Terna criança, eterna menina cigana, a minha primeira lembrança, o meu primeiro acorde de sonata, o meu primeiro brilho nos olhos, loucos olhos extasiados, piano de cauda erótico, partitura incompleta. Em ti li a palavra amor. Querida, minha querida, não a sabia escrever.

Depois.. depois tu, velha companheira. Lembro-me bem do teu sorriso, dele saíam chamas e mundos por inventar. Gostava de ter a nuca no teu colo, sentir os teus dedos no meu peito, enquanto eu falava sobre o dia e outros dias e daqueles dias em que para mim eras magia, eclipse que tudo apagava, vida. Sim, vida. Eras vida. Quantas coisas ficaram por dizer? Nenhuma por recordar. Meu eterno porto de abrigo, queimadura intensa no meu corpo, minha musa, minha amiga, em ti li a palavra amor. Amada, minha amada, não a conseguia escrever.

Tu... sim, tu. Alquimista tão distante. Aguardei séculos para te encontrar. Quiseste ser quatro elementos imperfeitos quando eras a minha alma antiga, a minha mulher prometida, as teclas brancas e negras, o som melodioso e furioso, primeiro acorde de sinfonia que despertaria os mortos e recordaria aos vivos o que é amar. Minha ternura, minha estranha ave, minha inacabada história, minha saudade. Em ti li a palavra amor, sabias? Saudade, minha saudade não a podia escrever.

E assim de repente, ela. A maga. A mágoa. Levei-a aos lagos perdidos e às terras do fim do mundo, amei-a em ruínas de tempos ancestrais construindo castelos, sempre castelos, fortes, poderosos, invictos - como ela - eternos. Como ela. Foi a grande aventura que só em sonhos ousava realizar, foi Beethoven e estrela-do-mar, foi pirâmides e Amazónia, Gaudi e Taj-Mahal, rosa do deserto num mundo por reconhecer. Sim, mesmo em ti li a palavra amor. Nos teus olhos deslumbrantes também li para não a escrever.

E que dizer de ti? Meu bichinho-do-mato esquivo e inquieto, tão mas tão assustada... Um dia fiz-te um sorriso, lembras? Saíste logo com ele para a rua. Todas as pessoas to invejavam « que sorriso lindo ela traz hoje ». Não precisavas de dizer que tinha sido oferta minha, porque eu - malandro - fiz um igualzinho para mim. Esta não sabias, pois não? Tantas coisas que desconheces, tantas mais que não queres conhecer. Como te compreendo, meu amor. Não é tempo de ilusões e mataram-te a esperança. Mas gostava que continuasses a usar o sorriso que te dei. Fica-te tão bem... sério... é lindo. Como tu. Em ti não li a palavra amor. Escrevi-a na tua casa. Desculpa, pinta por cima e já não a vês. Mas desafio-te a fazê-la desaparecer.

29 comentários:

  1. muito muito muito muito muito muito bom. e impossivel qq mulher ficar indiferente a uma declataçao destas.

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  2. Amei! Linda declaração de amor :)

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  3. Dá-me a sensação que temos aqui um resumo muito resumido.. da tua vida amorosa mais intensa :-).
    Não 1 declaração mas sim 4...
    Diz lá que sou um cerebrozinho brilhante. Podes dizer.. estou preparada rs..
    (Que bem me soube)

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  4. É uma celebração de vida, apenas. Um agradecimento às mulheres que me marcaram, um obrigado pelo carinho, ternura e sentimentos partilhados. Nunca uma declaração. :-) Um brinde à vida, uma despedida. Nunca uma declaração. :-)

    Não é um resumo da minha vida amorosa. Para isso um blog não bastaria. ;-) São as mulheres da minha vida. As tais. E reforço: obrigado a todas. Escolhi-as bem. ;-)

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  5. Acrescentando à Andrea: são 5. :-)

    E claro que foste uma delas. *

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  6. Então sou a sexta. Sexta? :))

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  7. Profundas são as palavras que se escrevem sentidas.

    Torturantes são as que ficaram por dizer.

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  8. Se um ex meu escrevesse o que tu escreveste, deixava de ser ex. Uma vez mais, num tom sério: é lindo ver o grau de cumplicidade e mesmo a amizade que as tais nutrem por ti. Só podes ser mesmo especial. Encara isso. Aceita.

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  9. Simple Girl , nunca deixo nada por dizer.. Crê.

    Alcóolica Assumida, não achas que para escrever o que escrevi, elas é que são especiais?

    ( Ex... o que é isso? ) ;-)

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  10. A tua melhor amiga, Numen. E sim queria mais. Muito muito mais. Bastava o teu sorriso.

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  11. Você, seja lá quem for, não será nunca Desert Rose. Muito menos a minha melhor amiga... parvo seria se considerasse especiais as mulheres da minha vida sem as conseguir reconhecer.

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  12. Precisava de ouvir isso. Mt, mt obrigada eu. Por tudo o que me deste. nao tenho mais palavras desculpa. meu amor como te amo ainda.

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  13. Há s´´eculos que não vinha aqui, mas claro, a provocação era demasiadamente forte para não o fazer.

    Obrigada por "me" brindares com tamanha pérola. Adorei o que li. Para essas Mulheres da tua Vida, serem Musas dessas palavras, é seguramente algo de muito belo.

    Beijo declarado :)

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  14. Anónimo .. :-) * Beijo, menina perdida.

    Stargazer Beijo assumidíssimo de plena devoção. Bem vinda.. ;-)

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  15. Quanta meiguice. Lembro-me dos meus casos e petece-me chorar.

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  16. Sorria. Brinde a todos eles, meiga MD. Se conquistaram um lugarzinho no seu coração, há que brindar. Urge celebrar. também são especiais, certo? ;-) Não chore a despedida. Sorria a partilha que houve.

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  17. ( Estou tão cansado de escrever que não gosto de anónimos-não-identificados - ovnis modernos - que só me apetece mandá-lo/a para o fundo. Profundo mesmo. )

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  18. E quem não tem blog? Não te sabia injusto.

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  19. Anónimos-não-identificados. Está lá escrito não está? Qualquer sebenta do João de Deus resolvia-lhe o problema.

    E já que acha injusto:

    Quem raio é você?

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  20. Serás sempre o meu amor eterno.
    Amo-te e amar-te-ei eternamente meu querido Anjo.
    Beijo Doce de Ternura e Imensas Saudades*

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