segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Blue eyes II

Canta-me agora os versos dispersos de noites malditas em que chamaste o vento e eu não compareci. Talvez te ouvisse num apelo mudo e lancinante, pungente por ser teu. Fui surdo muito tempo porque eu sou o próprio tempo e o vento é meu. Então, não ouvia. Sempiterno voava e acalmava-te. Em ti, a menina. Não, não te podia tocar. Estavas ali, ali. E ali era agora, agora. E nunca fui, porque o agora é apenas mais um trilho, mais um caminho, e entre nós emboscada. Tudo é perigo, tudo é alerta e sentidos apurados. Nunca fui por te poder magoar, criança. E pior: amar-te, menina. Ou - pior - fazer-te mulher. Então recusei o abismo e sempre recuei ao aproximar-me do azul. Constante em ti. Por ser teu. E levitava apenas não querendo aquilo que tão querido me era oferecido. E era teu. Ou tu de braços abertos. Para mim e sem emboscada. E o agora foram horas em que te reduzi a vertigem por recusar a viagem. Não é meu, mas sou eu. Eras tu, sim. E o vento por mim, quase a soprar amor. Mas não é meu, sou apenas eu. A adorar-te em cada dia que passa e a dizer-te: não. E a soprar a minha mão para a tua mão. E a (re)lembrar-te: não tenho coração. Shiuu...sente apenas. Não queiras vento na tua vida. Um dia que o queiras mesmo, deixará de ser vento... será algo que tens. No teu bolso. Na tua mala. No teu sexo.
Imagina que sonhaste com uma tempestade. Facilmente me perdoarei perante tal dilúvio.

2 comentários:

  1. Me provoque. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso!

    Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.

    Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.

    Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.

    Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

    Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

    Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.

    Não sei o que fazer do que vivi,tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu,pelo fato de não a saber como viver,vivi uma outra?!
    A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: Eis os limites de minha possibilidade

    Passei a minha vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Ao tentar corrigir um erro, eu cometia outro. Sou uma culpada inocente.
    Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece.

    Parece com momentos que tive contigo,quando te amava,além dos quais não pude ir pois fui ao fundo dos momentos

    O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo.

    É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

    Não se pode andar nú nem de corpo nem de espírito.

    O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo!

    Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso.

    'excertos de clarice lispector '

    Tu que tanto gostas dela, Nu. Lê. Bj.

    MD

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  2. Clarice... de longe o meu ideal de mulher. Lispector, o meu demónio preferido. Obrigado por recordares. Clarice Lispector e Sophia de Mello Breyner são as múmias que me levam a pensar que deveria ter nascido mais cedo. Tinha a obrigação de as amar. Concordo com todas as frase(?).. que escolheste. Porque são tuas. Não me reflectem a mim. Vai buscar o demónio da Clarice e de bom grado assumirei. Sim, é um demónio.

    Que de quando em vez padece de sentimentos:
    Gosto muito de ti.

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