segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Dos possiveis Adeus - I

Hoje recordo quando te criei, Meiga. Dei-te os lábios sensuais, dei-te os braços esguios, dei-te as coxas ágeis.. depois moldei-te a alma. Ensinei-te a altivez com muito de ternura, a cúmplice serenidade com laivos de loucura. Dei-te a voz confiante e pausada ordenada por pensamentos límpidos, dei-te a voz rouca e lânguida comandada por pensamentos promíscuos. Assim te fiz personagem, assim reflecti em espelho convexo a tua imagem.. porque queres agora ser mulher? Ser mulher é tarefa árdua, minha criatura... ser mulher é sorrir quando quer chorar, é ser magoada quando apenas anseia amar - e ser amada, e ser amada - é numa longa e distante caminhada vislumbrar apenas o horizonte que um dia sonhou alcançar. Mas sabes, Meiga? São fogos fátuos, apenas... ser mulher é ser dor, meu amor...

Comigo estavas protegida. Com as duas linhas que imaginei e que te proibi de transpores, era fácil seres feliz. Este monitor era o teu mundo, este teclado a tua mente, e serias feliz porque nunca conhecerias o amor, Meiga. Essa droga intoxicante que nos transforma em farrapos, essa torpe loucura sádica inventada por um deus que não existe.. coloquei-te assim, a meu lado, com madeira e pedras a impedirem-te de seres tocada. Porquê, minha boneca de porcelana? Porque insististe em seres mulher?...

Porque me cortaste os dedos??

O comboio chegou ao fim da viagem, musa. Dá-me a mão e desce enquanto ainda és imagem e personagem, enquanto ainda respiras e és feliz.. fecha os olhos.. tenho que te retirar a alma, agora. Não, não dói. Ainda não és mulher, ainda não..

Dói-me a mim, Meiga.

5 comentários:

  1. A meiga foi despedida. lol

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  2. Eu sou meiga. rs

    MARIA DAVID

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  3. Foi, Ana. Foi despedida de meiga. Agora dou-lhe um nome.

    M.D. creio que já o é. Gostava de retribuir a simpatia e comentá-la... mas assim é impossivel. :-)
    Agradeço os seus comentários e a atenção.

    Cumprimentos.

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