quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dos lugares malditos - Lisboa

Já a percorri colina a colina. Toquei-lhe. Inundei-a junto ao Tejo. Chamei-lhe vadia, porca, puta. Exausto, sorri-lhe. E voltei a vesti-la de ternura. Sussurrei que a amava até ela adormecer... acariciei-a colina a colina, de colo em colo...

Essa Lisboa judia
escrava do Tejo ou dele rainha.
Essa impossível mulher
de veneno acutilando cada esquina..
Essa menina serena
de olhos cruzados de mágoa.
Essa poderosa verdade
a quem os homens chamam cidade
essa raiz de mandrágora
que grita mais alto os nossos silêncios.
Essa Deusa.
Essa fome urgente de saudade.

...

Essa prece incontida que apressa o desejo, preza o que vejo.. presa ao destino. Raiz secular de ser mãe e amante. Suga o meu solo. Pesa no meu colo. De colo em colo, de colina em colina. É um peso. É um fardo. É o fado que contraria a minha sina. É a voz que queima - e a teima - de eternamente ser menina.

12 comentários:

  1. Não me imiscuí na javardice que grassa por aí abaixo porque não sou descartável. Apenas 2 ou 3 pontos sensiveis. Sensiveis. Não seja bruto:
    Uno: Lisboa é porca e suja. Sempre.
    Due: No dia em que a intelectualidade imperar ( vide Império dos Sentidos ) neste espacinho, volto ao meu espacinho. Não me apresente amigos, represente-se. Desculpe, mas tinha que o dizer.

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  2. Traduza... javardice?

    Traduzo para si: Não conhece Lisboa.

    Traduza... apresento-lhe amigos?

    Reparo: intelectualidade é no seu blog e no pasquim onde escreve, disponível em qualquer café. Concordo: aqui não.

    Represento-me: Eu, o bruto.

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  3. Que delicia essa Lisboa que tanto amas. Que delicia ler-te a alma estranho Numenor. Bj

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  4. Amei este teu fado. Essa Lisboa doce e vadia, menina e amante (não ouso escrever puta pois pode causar algum transtorno).

    Delícia. :)

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  5. MD se a minha alma fosse um livro seriam as « Memórias das minhas tristes PUTAS ». Bom fds. Beijocas para si e para a cria.

    XS , bem vinda... ainda bem que não ousou escrever PUTA. Ficaria escandalizado. Lisboa iria amar. ;-)

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  6. Mandrágora bebeu a Julieta. São sempre trágicos e desesperado os teus amores, Numenor. No limite. On the edge. Mas continuas puro, paradoxlmente. Quer dizer, o que escreves ainda tem inocência. Gostei já mais deste texto. Soa mais a verdade e é credível. A questão da "inundei-a junto ao Tejo..."...? Mera associação de águas, ou mijaste-lhe para o rio, ou, em sentido poético e mais alto que a realidade de significados e significantes, foi mesmo isso: inundaste-a! (??)

    Só respondes se quiseres e entenderes, naturalmente: o autor tem sempre a última palavra.

    Torquemada.

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  7. Torquemada, sem confusão de identidades: Eu sou o demónio, você o censor. :-) Aqui, comentário seu é logo publicado. Respondido, quando me aprouver - única vantagem de ser o autor -. Lisboa que lhe responda, se a sentir... experimente dar uma mijinha no Tejo, old chap. Se for mordido é apenas uma taínha. Se gostar, inunde Lisboa.

    E as colinas, Torquemada? E as colinas? Mais uma vez vê o abstracto no essencial.. Mije colina a colina e faça-se chegar ao Tejo. Isso sim, dar-lhe-ia um lugar nesta ' estória ' Suplantando 1755, quiçá...

    Disponha deste espaço sem censura. E ponha.se em Lisboa. Urgentemente. ;-)

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  8. lolll não paro de rir. lolllll

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  9. Anónimo: não respondi logo para lhe dar tempo. Já parou? :-)

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  10. Ah Numenor, dentada de tainha durante uma mijinha nunca me tinha ocorrido, nem nos meus mais profanados pensamentos, confiteor Deo omnipotenti!! ahahah

    Das colinas, repara: houve em tempos, na minha estante, um disco dos Trovante; por cá não me atrevo a ir de bicicleta para o trabalho porque o horizonte em meu redor é tudo menos planinho!; e de Lisboa conheço uns bares, uns poisos para comer no Campo grande, os pastéis em Belém (imprescindíveis!), e uma Catedral onde costumo ir render homenagem e cantar bem alto a uma só voz. Afinal de contas: não prestei atenção às de Lisboa, ou ás tuas colinas...?

    ;-)

    E não, jamais mijaria de colina em colina, como sugeres. A não ser que me pagasses uns barris de imperiais e me obrigasses a jantar tremoços.

    Aquele abraço, old chap.

    Torquemada.

    P.S.
    É para comentar o último, ao abrigo de "você é o Censor e tudo se publica e eu sou o Demónio, blá, blá, blá..."...??? Pá, censura é das coisas que mais me irritam pela estupidez cega que lhe é inerente, acredita. Por isso aqui venho sempre com gosto: aceita o elogio.

    ;-)

    T.

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  11. Não imaginas o prazer que me deu ler este teu texto. Revi-me nele, aquilo que sinto por esta cidade. Louca, alucinante, abismo onde a Alma se perde e o Corpo se excita, sossegando a Mente...

    É incrível como através das tuas palavras espelhaste o Amor que sinto por esta Lisboa, que se vende, que se oferece, que se dá, mas que jamais se entrega, porque nunca será "nossa", sempre e eternamente só "dela".

    AMEI! Beijo de Puta (assumida e na verdadeira acepção da palavra)

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  12. Do sangue dos desesperados que almejam a rebusques do individuo que o alenta sem, no entato, exacerbar-se do icólume destino, que num ímpeto desnaturado, esgueira-se pór entre os mufumbais das ribanceiras.

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