Vendes algas e sonhos e dás toda a tua vida. Estranha dádiva, minha querida. E a força - a tua - enorme... sentia-te frágil e nunca te imaginei a carregar pedras. Pesadas. Pequenas esfinges que teimas em levantar, sempre que aquele castelo receia ser engolido, numa onda gigante, nascida lá longe, num tsunami sempiterno... mas nada desmorona o que com coragem construiste, nada desaba o que com ternura decoras - é aí, aí, o espaço onde agora moras - e por cada onda infeliz vem a tua força tão pungente - porque comove - vem uma nova pedra a ser colocada no castelo de areia que o mar levou, deixando uma alga no seu lugar. Já não é na areia que constróis. Fazes uma fortaleza tão intensa que pode quebrar-se contra ela a água - pode colar-se nela a alga - que ela desafia agora plena de certezas, ondas, algas e sonhos. E quase oiço um murmúrio distante: « atrevam-se a derrubar-me ». Retiras algas e vives sonhos, sentes dúvidas e lanças dádivas, pontapeias as nuvens e gritas - triunfante e orgulhosa - que esse castelo é teu e não se renderá. Porque é eterno. Como tu. Não terno. Como tu.
Vendes algas e sonhos e dás toda a tua vida. Deixa aquelas pedras mais robustas para mim. Sim, claro que podes bem com elas. Mas como me dás as algas e fazes-me sonhar, como a mim nada vendes e fazes da vida uma dádiva... sem dúvida que algumas terei que carregar.
( Gosto de contemplar o castelo, mesmo ao longe... nem os deuses o poderiam inventar...)
O menino é casto e piedoso. É um franciscano. Mais uma para a minha caixinha de fantasias. Faze-lo com um monge. E no entanto fala muito em deuses. E deusas no castelo, já lá iam não? Olhe eu aqui de dedo no ar.
ResponderEliminarCasto, piedoso e pobre.. franciscano completo, Dª Anes. Quanto ás suas fantasias, até lhe aconselhava baixar o dedo... ;-)
ResponderEliminarQue beleza estranho Numenor. Tão carinhoso ai ai. Bj
ResponderEliminarSou isso tudo sim, MD ;-))) Beijos
ResponderEliminarSinceramente, achei uma treta delicodoce, vaga, sem ter vagas, estilo espuma de cerveja. É (profunda)mente superficial a tua prosa-poética. Porém, pensei poder estar a ser precipitado e dei outra oportunidade: li mais coisas. Mantenho a posição. Aceita-a como crítica honesta, dura e crua - um pouco o que falta aos teus textos. Ah, e aquele delicioso comentário da A.Anes, em forma de atalho... merecia uma resposta de homem rico, nada casto e sem piedade. ;-)
ResponderEliminarAss.: Torquemada
Torquemada, não só aceito como subscrevo. Mas como nunca foi minha intenção colocar o que sub(escrevo) á apreciação do Inquisidor_Mor, fico- me pela espuma do seu comentário. E com a respectiva cerveja, claro. ;-)
ResponderEliminarTorquemada, quando se visa um alvo delicioso, não se aconselha: aponta-se e dispara. Esteja á vontade para utilizar este espaço como campo de honra. Sem piedade para a Dª Anes, se assim se entenderem. :)))