quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Chamou-se Ana e gostou de espelhos até se encontrar com o mar.

Na tua morte ansiada visualizo o que nunca foste, estranho caleidoscópio. Objecto-abjecto material de quem se cansou de caminhar. Nem incentivada. Cobarde... nem com gritos incontidos - é já ali, ali!!! . tudo recusaste. Cobarde, cobarde, cobarde. O que poderia ter feito por ti? Nada. O que poderia ter feito em ti? O que fiz. Esmagar-te. Levantar-te uma saia justa e fornicar-te prometendo-te a morte. Lutando para te baixar as calças e deixá-las inertes - mortas, como tu - num qualquer chão delator. Não querias morrer? Terias que dançar com o demónio primeiro. Cobarde e dançarina, nunca te perdoarei. Nem no vento, nem do vento receberás abrigo. Nem saudade te acolherá. Nem um pesar, nem tristeza... nada ao nada que quiseste ser.

....

E seremos um do outro, por mais dois mil anos ou quase. E dir-te-ei saudade. Porque te entregaste já sem forças és já uma eternidade prometida e ansiada, devida. Ignoro quem te consumiu assim tanto, dentro de ti... ficaste presa a quem repelias. Violada. Prostrada. Fui mais um cancro a habitar dentro de ti. E dava-te ar para to retirar, sempre que invadia a tua boca. E dava-te água sempre que te percorria de pólo a pólo. E de saliva um brinquedo. E de mãos fantasia. E subitamente, estranha criança, dava-te fogo. Tão estranho o teu comportamento nessa fornalha insensata... Bailarina, minha ternura. Uma bailarina. Não permitiram que te cobrissem com terra. Quiseste ser abandonada ao vento e ele que te levasse... ágil e leve... divinamente leve.

Diz-me então... onde te devo deixar?

....

Espera um pouco. Ainda tenho assuntos por tratar. Papéis e coisas assim. Coisas pequenas. Merdices. Mágoas por resolver. Um pouco mais de mundo por observar. Agora com outros olhos: rasos de água. Incompetentes, agora... nunca mais enxergarão limpidamente. Espera um pouco, tenho assuntos por resolver. Quiseste ser lançada ao vento. Quem o fez nem imaginava que estava apenas a lançar um papagaio de papel colorido. E a entregá-lo na minha mão. Quiseste ser lançada ao vento. Assim te recolhi. Só eu sei onde estás agora. Espera um pouco... ainda tenho um pouco mais de mundo por observar. E merdices assim. Quando for a minha hora, é a nossa hora.

( Só o vento te disse amor. Mas crê que o vento sou eu. )

Até já.

3 comentários:

  1. Again?


    (nem me atrevo a pensar que sim)!

    :)

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  2. É o que estou a pensar?????
    Diz-me que não Nuno, diz-me que não foi isso que aconteceu... Meus Deus... (agora... tenho medo... agora temo... tremo...) :-(

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  3. Sempre lutou e ultimamente era por ti. Mulher de causas e senhora de letras. Ainda espero que neste mundo filho da puta e neste país de merda alguém lhe dê o nome de uma rua. Adere ao movimento.

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