quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Algures entre Venus e Marte IV

Sempre gostei de nós. E dos nós que gostávamos. Gastavam-se, os nós. Eu - paciente - reconstruia. Mordia. Até fazer um novo nó. Já esfarrapado, gasto, mas era um nó. De nós. Afinal, nós não queriamos nós. Só um de nós queria um nó. Eterno e sublime nó. Um outro queria outro nó. Apertado e controlado, nó de forca e de força bruta. E nós? Perdemos a razão entre os nós, perdemos as vontades - nós - que ousámos quebrar e injuriar o Tempo e as idades...

Nós. Soltos. Já não é nó, já não há nós. Nós não queremos nós. Ah, a prisão... o ciúme... a estúpida paixão que arde até incendiar. A combustão. O fumo que segue uma rota. Que passa da tua lareira e bate - sem pedir licença - de porta em porta. O fumo que é sinal de derrota. E nós aqui. Na minha mão. Faço nós. E tu aí. Sem a minha mão. Sem os nós. Esqueceste os nós.

( Esqueceste-nos )

Estás tão longe... Onde sempre estiveste, afinal...

No final ficam os nós. Os meus. Que os aperto e levarei para todas as vilas, para todas as cidades.

No final apocaliptico sobreviverão as tuas vontades.

Nós. E nó após nó. Mais um nó, até fazer nós. E de nós sai um pássaro a bater as asas, pronto a voar. E com mais um nó entrelaçado sai um potro doido e selvagem. Porque dos meus nós entre nós tudo é viagem, façamos do potro doido um unicórnio. Branco. Ágil. E que tal dar-lhe asas? Ele que encontre o pássaro ferido. Perdido. Esquecido... esquecido...

Nós. Sempre nós. Nós sempre teremos nós.E nós? O que teremos, além dos nós?

Nós.

4 comentários:

  1. Estava algures entre Venús e Marte à procura de nós...

    Nas águas revoltas da vida encontramo-nos qual folha caída a boiar, de repente desististe e querias afundar-nos no turbilhão que se criou em nosso redor.

    Não! Não é hora! atirei-te com a Coragem, a Força , e a Esperança,de refazer os nós recusaste-nos, insistias em partir. Com a certeza que não resistias ao apelo por nós voltei. Aceitaste confuso regressaste da viagem, que cedo demais querias iniciar, algures entre Venus e Marte...

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  2. Ou o lirismo de uma casca de noz. Parece-me um claro caso de selectividade exacerbada. Ou passinhos maiores que as perninhas? Sei não, sei não. Faria bem em começar a ver. Com olhos de gente, não de semi-deus. Olhar e ver onde pode construir nós. Se olha o que não pode ter, não terá nós nem laços. Mas você tem a certeza de ter qualquer mulher, não é assim? Talvez seja. E talvez possa. Mas nem todas dão nós apesar de enfeitadas com laçarotes. Enfim. Mais vozes que nozes.

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  3. Beijo nininho ;-)nem sempre é preciso um nó para que haja ligação eterna.

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  4. Seremos eternamente NÓS.
    Amo-te Minha Vida*

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